Coluna Livre com Hermano Henning

Coluna Livre com Hermano Henning

Depois do julgamento de ontem no Superior Tribunal de Justiça fica mais difícil para o PT e a quase totalidade da esquerda brasileira sustentar que Luiz Inácio Lula da Silva é preso político. Mas pode escrever: isso vai continuar acontecendo. Lula vai continuar sendo preso político e considerado um cidadão perseguido pelas elites do país em conluio com o governo americano e alvo preferencial da CIA para todas a lideranças petistas, psoistas, pcdobeistas e outros istas. E duvido que surja entre essas lideranças alguém capaz de abaixar a cabeça e aceitar a decisão de um juiz federal de primeira instância de Curitiba; três desembargadores da Justiça Federal de Porto Alegre; e, finalmente, quatro ministros do Superior Tribunal de Justiça que opera na capital federal. Nenhum deles, não só políticos que gostam de ser chamados de progressistas, mas também intelectuais nas academias, a maioria dos professores nas universidades, artistas da TV Globo, cantores da Bahia, etc, etc…

Por quê? Simplesmente porque assim sendo, ou seja, aceitando as sentenças formuladas pelos magistrados, Lula poderá ser chamado de corrupto, lavador de dinheiro, ou como prefere o professor historiador da rádio Jovem Pan, “ladrão”. Para um ex-presidente da República, catalizador de multidões por este país afora, tido como Deus no Nordeste e “nosso guia” para a elite progressista do centro sul, essa palavra, corrupto, ou simplesmente criminoso, não pode colar nunca.

Dizem que ideologia é como religião. Melhor ainda, é como seita. Acreditar que Lula é um exemplo de ser humano é um dogma. Lula nunca será um indivíduo desonesto pra quem se define como “de esquerda”. Ou “progressista”.

O resultado

O Superior Tribunal de Justiça confirmou os crimes do ex-presidente da República. Corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Não atendeu as reivindicações da defesa que falava em “julgamento injusto” tentava anular o processo, lutou pela impugnação do juiz de Curitiba que virou ministro do governo e usou dezenas de outros argumentos.  Nada disso colou. Mas o STJ maneirou nas penas. Foram reduzidos três anos e oito meses daquelas aplicadas pelo Tribunal de Porto Alegre. Eram de doze anos e um mês. Agora, somadas as duas condenações são oito anos e dez meses. E cumprido um sexto da pena, o encarcerado pode ir para um sistema de albergue ou penitenciária agrícola. Isso não vai acontecer. Imaginem um ex-presidente preso num sistema correcional?

Lula deve ir pra casa em setembro.

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