Quatro mulheres atuam como maquinistas na Linha 13-Jade

Lucy Tamborino

Pouco mais de 5% é porcentagem de mulheres na função de maquinista na Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ao todo são quatro. Com idades entre 19 a 33 anos, Márcia Miyuki Hayashi, Julia Silvério, Maria Gabriella Soares Ferreira, além de Nilzete Cerqueira Santana Coutinho integram as profissionais da linha.

Júlia é a mais nova, com 19 anos, ela trabalha há oito meses na função. A jovem explica que as próprias mulheres às vezes têm receio em relação à área, mas que hoje tudo é mais tecnológico e conta com apoio de toda equipe. Apesar da pequena representatividade feminina nessa função, Júlia tem uma visão promissora. “Acredito que as mulheres vão se tornar protagonistas em todas as profissões e não só nessa área”, afirma.

Diante da responsabilidade de transportar milhares de passageiros, ela surpreendeu até mesmo a família com a escolha. “Eles ficaram de início preocupados. Diziam ‘nossa você minha filhinha’, mas depois que eu fui passando pelo treinamento, contando tudo que eu estava aprendendo e que não precisava ter tanto medo assim, eles foram ficando mais calmos”, explica.

Antes de assumir essa função a jovem era aprendiz na CPTM, fazia jornada meio período, entre trabalho na companhia e o curso de Técnico de Sistemas Metroviários no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Em fevereiro de 2018, quando entrou na função de aprendiz, logo viu a oportunidade de prestar um novo concurso, dessa vez para o cargo que ocupa hoje.

A prova prestada para se tornar maquinista não foi um grande desafio para jovem, já que o curso técnico lidava bastante com conteúdo de Física, essencial para sua aprovação. Hoje a rotina da profissional se inicia às 13h e se encerra às 23h, entre as viagens, prefixos e horários previamente programados.

Para Anderson Ribeiro, 33, supervisor de tração da Linha 13-Jade, as pessoas têm uma visão equivocada do ofício. “A sociedade ainda tem muito receio da profissão de maquinista. Quando eu falo maquinista, entendem que é aquela pessoa que fica trabalhando numa locomotiva antiga, que vai jogar carvão, trabalhar sujo, fazer muita força, mas evoluiu demais. Os trens são todos eletrônicos, têm computadores de bordo, o maquinista tem sua função ali, mas tem diversos equipamentos que auxiliam ele”, destaca.

Imagens: Lucy Tamborino