Coluna Livre com Hermano Henning

Coluna Livre com Hermano Henning

Foi uma tentativa clara de encurralar o ex-juiz da Lava Jato e atual ministro Sergio Moro ontem na Câmara dos Deputados, em Brasília. Para qualquer observador não acostumado ao comportamento petista em eventos anteriores, parecidos com o de ontem, poderia parecer estar ali, sentado à frente do grupo de inquisidores, um criminoso contumaz.

Sergio Moro, com vinte e dois anos prestados à Magistratura, cinco deles dedicados ao combate à corrupção com incrível denodo e resultados surpreendentes, entre eles o de colocar gente poderosa na cadeia, foi chamado de “corrupto”, “traidor da pátria”, “Batman atrás da Toga”, “mentiroso” e outros adjetivos. Adjetivos fáceis de usar em ocasiões como a de ontem em função da chamada imunidade parlamentar. A imunidade que protege o deputado e o deixa tranquilo para xingar e ofender à vontade.

É bom que seja assim. É da democracia. Mas não deixa também de soar como algo covarde em certos momentos.

Festival de pauladas

Um desses deputados que agrediram e machucaram o ex-juiz da Lava Jato pretende ser prefeito de Guarulhos. O nome dele é Alencar Santana Braga. Devidamente protegido pela claque que madrugou no auditório da Câmara para poder melhor encurralar o ministro, o deputado que se anuncia como candidato petista nas eleições do ano que vem, não se constrangeu em chamar Moro de “capacho atrás de uma toga” e homem sem coragem. Imaginem, logo ele, o juiz, responsável por uma cruzada contra o maior escândalo de corrupção da história do país ser tachado de covarde. Para Santana e seus companheiros, o que eu pude entender, é que Moro poderia tudo, menos por Lula na cadeia.

As reações do ministro foram de um homem educado, pelo menos até onde eu pude acompanhar pela transmissão ao vivo da TV Câmara. Moro mostrava-se cansado. Imagino o que estava sentindo nos instantes em que recebia as agressões, muitas delas, cruéis. Estava sendo tratado como um criminoso. E, pasmem, alguns dos inquisidores respondendo a processos de corrupção, caixa dois e lavagem de dinheiro.

Impossível não sentir as ofensas junto com Sergio Moro.   

Muitos dos parlamentares da tropa de choque devem ter saído daquele auditório exuberantes, felizes pela atuação agressiva, mal-educada, incapazes de atitudes civilizadas. Entre eles, posso imaginar, o senhor deputado que quer ser prefeito de Guarulhos.

A verdade é que a sensação de vencer um debate, humilhar o oponente, ser agente da acusação, pode virar contra o agressor. Pense nisso deputado.

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