Coluna Livre com Hermano Henning

Coluna Livre com Hermano Henning

A Bahia está em festa. Quando afirmei isso na redação do RB Notícias, da Rede Brasil, comentando a informação recém-chegada do Vaticano da canonização da freira mais popular e querida em toda a história do Estado, a irmã Dulce, a pergunta apareceu de pronto: E quando não está?

De fato, é difícil dizer quando o baiano não está em estado de festa, tantas são as comemorações em Salvador, começando pelo carnaval. Mas desta vez, realmente, não consegui imaginar a existência de um baiano triste, nesta terra do Senhor do Bonfim.

A freirinha, irmã de caridade por todos conhecida como “o anjo bom da Bahia”, será declarada santa pelo Papa Francisco.

TV Aratu

Conheci a Bahia quando voltei ao Brasil no começo dos anos oitenta, depois de seis anos trabalhando como correspondente da Rede Globo, primeiro em Bonn, na Alemanha e depois em Londres, na Inglaterra. Depois de uma rápida passagem pela redação do Fantástico em São Paulo, me mandei com a família, mulher e dois filhos, para Salvador, como contratado da TV Aratu, a principal afiliada da Globo no Nordeste. A ideia era ampliar a cobertura do Jornal Nacional, até então, muito focado nas três praças: Rio, São Paulo e Brasília.   

“Mutcho bom”

A primeira reportagem que fiz, chegando a Salvador, foi com Irmã Dulce. Ela dirigia o hospital e a casa de caridade que existem até hoje no bairro de Roma com 3,5 milhões de atendimentos todos os anos. Pra falar da obra de caridade, objeto da reportagem, era necessário ouvi-la.

Além de uma bem cuidada entrevista em frente à câmera, tivemos longas conversas. Falava baixo, escolhia as palavras, o sotaque baiano era acentuado. Gostava de ouvi-la falar “mutcho bom” bem no estilo dos antigos da cidade. Gostava de futebol e era torcedora ardorosa do Vitória.

Maria Rita Lopes Pontes, a Irmã Dulce, teve até agora dois milagres reconhecidos pelo Vaticano. A cura de um homem de cinquenta anos que foi dormir cego e acordou enxergando. E uma paciente que teve uma grave hemorragia após parto e cujo sangramento cessou de forma inexplicável sem intervenção médica. Era soteropolitana, nascida em 1914 e começou cedo prestando assistência às comunidades pobres de Salvador. Tinha menos de dezoito anos quando iniciou a vida religiosa.

Voltei a fazer com ela um documentário para o Globo Repórter, dirigido por um outro baiano, Jotair Assad.

Virei fã de Irmã Dulce. Sempre que lembro dela me imagino baiano. Mas nunca me passou pela cabeça me transformar um dia num repórter que entrevistou uma santa…

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