Coluna Livre com Hermano Henning

Coluna Livre com Hermano Henning

Minha última coluna, “Vendo e Ouvindo”, foi publicada quando a Folha Metropolitana ainda se chamava Guaru-News. Era um amontoado de pequenas notas falando das coisas da cidade, dando destaque ao que se passava no mundo da política. A Prefeitura estava ainda instalada num prédio da praça Getúlio Vargas; a Câmara de Vereadores ficava na rua D. Pedro II em frente à Rádio Difusora, logo depois transferida para um terreno perdido nos altos do Picanço com outro nome, Boa Nova. (A rádio, não a Câmara)

Vendo e Ouvindo provocava muita confusão. Insistia em chamar o vereador José Ribamar Mattos da Silva simplesmente de Zé da Silva… Justo dizer que era um dos vereadores mais atuantes da antiga Arena, partido de sustentação do governo militar que sofria oposição do MDB de Waldomiro Pompêo. O vereador Ribamar ficava muito bravo…

Guarulhos tinha na época pouco mais de duzentos mil habitantes. Pertencia ainda ao bispado de Mogi das Cruzes. A primeira faculdade de direito estava se instalando num prédio alugado na Ponte Grande, o colégio das irmãs de Santa Catarina e a matriz de Nossa Senhora da Conceição sofria sua grande reforma. Centenária, fora construída de pau a pique, creio que nos tempos das Bandeiras.  As grossas paredes de barro socado eram trocadas pelo concreto numa engenhosa e cuidadosa operação de engenharia deixando intacta a estrutura da igreja e da torre. As missas mais concorridas eram celebradas por um simpático e caridoso velhinho, o padre Geraldo Penteado de Queiroz.

Essa era a Guarulhos de minha época. Que diferença hoje…  Um milhão e quatrocentos mil habitantes! Dizem até que o número de eleitores chega perto de um milhão. Verdade? É bem possível. 

A Folha Metropolitana acompanhou a transformação da cidade durante todo esse tempo. Quando surgiu causou espanto. Era diferente de tudo o que existia até então na imprensa local, marcada por semanários impressos nas velhas máquinas planas. Acredite, até o começo dos anos setenta nem a linotipo havia chegado aqui. O jornalismo de qualidade veio com uma equipe de profissionais pinçados na Folha de São Paulo. Em sua maioria, mesmo porque um deles, repórter, vinha transferido da redação do Diário Popular. Era o jovem Carlos Alberto Barbosa, agraciado muitos anos depois com o título de Cidadão Guarulhense.

Enfim, foi uma longa jornada. E esta Folha nunca deixou de acompanhar a explosão de Guarulhos nestas décadas todas. Um desafio atrás do outro. Todos eles superados com muita dignidade.

É isso aí, Guarulhos. Estamos de volta!

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